GEO é o novo SEO, e se a tua empresa ainda só pensa no Google, está a ignorar o canal onde cada vez mais clientes começam a decidir: o ChatGPT. Saber como aparecer no ChatGPT deixou de ser um luxo de quem é early adopter e passou a ser uma questão de sobrevivência comercial. Para mostrar porquê, convidei o Bernardo Ferreira, dos maiores especialistas de SEO em língua portuguesa e cofundador da Reach AI, para um episódio do SEO POD onde desmontámos, com casos reais, como é que uma marca passa a ser citada e recomendada pelos motores de inteligência artificial.
Este artigo é o guia prático que resulta dessa conversa. Vais perceber o que é GEO, em que difere do SEO clássico, como funciona o ChatGPT por dentro, o que medir quando não existe “posição”, e que passos podes dar já esta semana. Começo pelo número que dá o tom a tudo o resto.
70% das jornadas de compra começam num motor de busca. Só que esse motor já não é só o Google.
Bernardo Ferreira
O que é GEO (Generative Engine Optimization)?
GEO, ou Generative Engine Optimization, é a otimização para a tua marca aparecer nas respostas dos motores de inteligência artificial, como o ChatGPT, o Perplexity, o Gemini e os AI Overviews do Google. A diferença para o SEO tradicional é fácil de visualizar. No Google competes por uma posição numa lista de links azuis. Na inteligência artificial, trabalhas para a tua marca ser mencionada e citada dentro de uma resposta que já vem escrita. Ninguém percorre dez resultados. A pessoa lê uma resposta, e ou a tua marca está lá, ou simplesmente não existe para aquele cliente.
É por isto que GEO não é um truque passageiro nem mais uma sigla inventada por quem vende fumo. É o sítio para onde a atenção dos teus clientes está a migrar, sobretudo no mundo dos negócios entre empresas, onde as pessoas usam o ChatGPT para fazer toda a pesquisa antes de pedir uma proposta. Quando alguém chega ao teu site já com a decisão meio tomada, há uma boa hipótese de a inteligência artificial ter participado nessa decisão. A pergunta deixa de ser “será que vale a pena fazer GEO” e passa a ser “quanto é que estou a perder por ainda não fazer GEO”.
GEO é o mesmo que SEO?
Esta é a pergunta que divide o mercado, e a resposta do Bernardo é a mais honesta que ouvi sobre o tema. As ferramentas são parecidas, a estratégia é que é completamente diferente.
Os jogadores são os mesmos. A estratégia é que é completamente diferente.
Bernardo Ferreira
A analogia é futebolística e encaixa na perfeição. As keywords, o conteúdo, a estrutura das páginas e o schema são os jogadores. Continuam a existir. O que muda é a forma como posicionas a equipa, e isso depende do adversário. O Google e o ChatGPT são empresas diferentes, com algoritmos diferentes, que olham para sinais diferentes. A prova prática é simples: as marcas que estão em primeiro no Google quase nunca são as mesmas que o ChatGPT recomenda. Se GEO fosse igual ao SEO, os resultados eram os mesmos, e não são.
Por isso quem te diz que GEO é exatamente a mesma coisa que SEO está errado, e quem te diz que GEO não tem nada a ver com SEO também está errado. A verdade vive no meio. Aproveitas a base técnica do SEO e mudas a tática para o jogo da inteligência artificial. É essa combinação de SEO mais GEO que faz a diferença, e é assim que tratamos cada projeto.
Como o ChatGPT escolhe o que mostra: o query fan-out
Aqui está o conceito que muda tudo na forma como pensas o conteúdo. Quando alguém faz uma pergunta longa ao ChatGPT, ele não pesquisa essa frase tal e qual no Google. Parte-a em várias pesquisas mais pequenas, as chamadas subqueries. A esse processo chama-se query fan-out.
O ChatGPT parte a tua pergunta em subqueries. É o query fan-out.
Bernardo Ferreira
A consequência é enorme. Não vale a pena obcecar com a frase exata que as pessoas escrevem, porque essa frase é imprevisível e muda de pessoa para pessoa. O que interessa é perceber a intenção por trás da pergunta e descobrir que pesquisas é que o ChatGPT realmente faz por baixo dela. É aí que defines o conteúdo certo e ganhas a citação.
O Bernardo deu um exemplo concreto. Imagina a pergunta “Asana versus Monday, qual é a melhor solução para o meu negócio”. O ChatGPT não faz só essa pesquisa. Faz “Asana versus Monday”, mas também “Monday review” e “Asana review”, em separado. Ou seja, para apareceres bem nessa resposta não basta uma página de comparação. Precisas de uma página de comparação e de uma página de análise para cada uma das ferramentas. Isto liga ao conceito seguinte.
Prompt constellations: várias páginas para a mesma pergunta
O Bernardo chama-lhe prompt constellations, e vai falar disto na SEO Conference. A ideia é que, para maximizares a visibilidade numa única pergunta, tens de cobrir o conjunto de subqueries que o query fan-out gera, porque muitas vezes essas subqueries disparam resultados completamente diferentes. Voltando ao exemplo, em vez de uma página, preparas três: o comparativo e as duas análises individuais. Se só criasses a página de “uma versus a outra”, a probabilidade de seres usado como fonte seria baixíssima.
Repara no que isto significa para o trabalho. Para uma só pergunta, o esforço quase triplica, porque tens de pensar em várias páginas adaptadas a cada touch point. É exatamente por isto que GEO dá tanto trabalho bem feito, e é também por isso que tão poucas agências fazem isto a sério. A boa notícia é que quem entra cedo e organizado ganha uma vantagem difícil de copiar.
Não há “posição” no ChatGPT: o que medir
Uma das perguntas que mais recebo é “em que posição apareço no ChatGPT”. A pergunta, por mais natural que pareça, não faz sentido.
No ChatGPT não há posição. São modelos probabilísticos.
Bernardo Ferreira
Como são modelos probabilísticos, nunca apareces sempre, para toda a gente, na mesma ordem. Por isso a métrica de sucesso muda. Em vez de posição, olhas para duas coisas que é fácil confundir:
- Menções: a tua marca recomendada como uma das melhores para aquela necessidade.
- Citações: a tua página usada como fonte para construir a resposta.
Podes ter uma sem a outra. E há um caso curioso que apanha quase toda a gente no início, a que o Bernardo chama ghost citations: o algoritmo vai buscar informação à tua página, mas continua a recomendar outras marcas. Estás a alimentar a resposta e a ver o crédito ir para o concorrente. Resolve-se com posicionamento mais forte na própria página e, sobretudo, com menções externas. Porque, no fim, há uma regra de ouro do GEO:
Em AI search não interessa só o que dizes sobre a tua marca. Interessa o que os outros dizem sobre ti.
Bernardo Ferreira
Há ainda uma terceira métrica que vale ouro: o brand sentiment, ou seja, o que o ChatGPT diz sobre ti. Não chega aparecer. Tens de aparecer bem, e alinhado com o teu posicionamento. Muitas marcas descobrem que a inteligência artificial até fala delas, mas conta a história errada. Corrigir isso é parte do trabalho de GEO, e o Bernardo deu o exemplo de uma plataforma que era conhecida por uma coisa e queria ser conhecida por outra depois de um rebranding.
Como descobrir as prompts certas
Se não há frase exata, como é que escolhes o que trabalhar? O processo do Bernardo assenta em dois pilares, e a boa notícia é que o primeiro reaproveita o que já fazes em SEO.
O primeiro pilar é baseado em intenção. Continuas a usar dados de canais tradicionais, como o Google Keyword Planner, para perceber a intenção do cliente, e depois traduzes essa intenção para a forma conversacional como as pessoas perguntam ao ChatGPT. Os problemas que o cliente leva ao Google são os mesmos que leva ao ChatGPT. Só muda a maneira de perguntar.
O segundo pilar é baseado no negócio. Nas primeiras semanas com um cliente, faz-se um trabalho de descoberta: quais são os casos de uso, quais são os públicos, qual é o contexto. A partir daí montam-se as perguntas que cada tipo de cliente faria. Não consegues saber quantas pessoas pesquisam exatamente por cada uma, mas sabes que a necessidade existe, e isso chega para construir uma estratégia de conteúdo séria à volta de GEO.
O detalhe que quase ninguém vê: 30% vão para inglês
Este foi um dos pontos que mais surpreendeu quem assistiu. Mesmo quando a pergunta é feita em português, parte das pesquisas que o ChatGPT gera por baixo são feitas em inglês.
Mesmo pesquisas em português, 30% das vezes o ChatGPT faz a query em inglês.
Bernardo Ferreira
O Bernardo testou isto com pesquisas sobre melhores sítios para sair à noite em Lisboa, e percebeu que muitos dos resultados usados como fonte eram páginas em inglês. A implicação para uma marca portuguesa que quer aparecer no ChatGPT é direta: muitas vezes precisas de uma página em português e de uma página em inglês para o mesmo tema. Quem só trabalha numa língua deixa metade da oportunidade em cima da mesa. Esta é uma das diferenças mais práticas entre SEO e GEO, e uma das que mais rápido dá resultado quando ainda ninguém no teu setor a explora.
Canibalização: robots.txt e canonicals ao serviço do GEO
Se vais criar várias páginas parecidas para cobrir o mesmo tema em canais diferentes, surge logo um problema clássico de SEO: a canibalização. Como é que controlas várias páginas semelhantes sem te prejudicares no Google e mantendo tudo acessível para o ChatGPT e o Perplexity irem lá buscar informação?
Há duas ferramentas de sempre que ganham um uso novo em GEO. A primeira é o robots.txt, que funciona como um semáforo a dizer aos algoritmos onde podem ou não entrar, e que hoje te deixa dar instruções diferentes a robôs diferentes, por exemplo permitir um motor e bloquear outro numa página específica. A segunda são as canonical tags, que dizem ao Google qual é a versão principal de um conjunto de páginas parecidas. Bem usadas, deixam-te privilegiar a página certa para cada motor sem perder indexação. São conceitos técnicos que já existiam em SEO, mas a forma de os usar para GEO é diferente, e é mais um exemplo de como as mesmas ferramentas servem jogos distintos.
Como conseguir menções: o link building desta era
Já vimos que o que os outros dizem de ti pesa mais do que o que dizes de ti próprio. Por isso, parte central de qualquer estratégia de GEO é conquistar menções nas páginas que a inteligência artificial já usa como fonte. O Bernardo chama-lhe o link building desta era, e o processo é mais cirúrgico do que parece.
Primeiro, identificas com dados, e não a olho, quais são as páginas que aparecem com frequência como fonte para as perguntas que te interessam. Como são modelos probabilísticos, isto exige correr as mesmas perguntas várias vezes, durante dias, no país certo, e só depois encontrar o padrão. Caso contrário arriscas pagar por uma página que apareceu uma vez por acaso. Depois, quando já tens a lista, vais atrás dessas páginas. Há três tipos de parceria que costumam funcionar:
- Pagamento direto por uma menção num artigo de referência, normalmente mais caro quanto mais alta a posição.
- Modelo de afiliado, em que pagas por resultado em vez de pagar à cabeça.
- Plataformas de leilão, sites que já montaram um sistema de licitação interno onde colocas a tua marca e disputas a posição na lista.
Há um cuidado importante. Verifica sempre onde é que a menção está a ser usada na resposta. De nada serve aparecer na parte do “como escolher” se o que tu queres é estar na parte onde a inteligência artificial enumera marcas. E aproveita para pedir também um backlink, porque assim a parceria ajuda-te em GEO e no Google ao mesmo tempo.
Backlinks, atribuição e cliques
Duas perguntas surgem sempre quando falo disto com empresários. A primeira é se os backlinks ainda contam. A resposta é que depende do canal.
Backlinks importam para o Google. Para os modelos de inteligência artificial, o que importa são as menções estratégicas.
Bernardo Ferreira
A segunda pergunta é sobre atribuição. No ChatGPT quase ninguém clica, não há uma consola de pesquisa como a do Google, e medir conversões é difícil. Mas não podemos deixar que a cegueira da atribuição nos paralise, ou então nunca teríamos feito televisão, rádio ou outdoor. O ChatGPT é o quinto site mais visitado do mundo e o sexto em Portugal. Ignorá-lo por não conseguirmos medir tudo ao cêntimo é perder mercado. O que medes são sinais: aumento de pesquisas pela tua marca, tráfego direto e crescimento de pedidos que aparecem sem origem clara nos canais habituais.
Portugal contra Estados Unidos: jogar na Champions
Trabalhar GEO em Portugal tem uma vantagem enorme face aos Estados Unidos: muito menos concorrência. Lá fora, em setores como o software, há marcas gigantes a fazer isto há mais tempo, e competes contra tubarões com equipas e orçamentos pesados. Cá, a maior parte das empresas ainda nem começou. Isto quer dizer que uma marca portuguesa que entre agora, bem organizada, consegue ocupar terreno que daqui a dois anos vai estar muito mais disputado. A janela está aberta, mas não vai ficar aberta para sempre.
O Google vai desaparecer? Não
Apesar de tudo isto, o Google não vai deixar de ser central. Vem pré-instalado na maioria dos telemóveis, é gratuito, não tem limites de utilização, e está a investir muito no AI Mode, que vai tornar a própria pesquisa do Google cada vez mais parecida com uma resposta de inteligência artificial. O mais provável é que a distinção entre motor tradicional e motor de inteligência artificial desapareça, e tudo passe a ser baseado em inteligência artificial. Por isso a estratégia certa nunca é escolher entre Google e ChatGPT. É integrar os dois.
Se não apareço hoje no Google, não chego vivo ao jogo de amanhã.
Marco Gouveia
Há ainda outro motivo prático para não abandonar o SEO: o ChatGPT vai buscar muita informação ao Google em tempo real. Estar bem no Google alimenta a tua presença na inteligência artificial. Os dois canais reforçam-se, e é por isso que trabalho sempre SEO e GEO em conjunto, nunca um contra o outro.
Como começar já com GEO (3 passos)
- Descobre as perguntas certas. Parte da intenção do teu cliente, as dores que ele já leva ao Google, e traduz isso para a forma conversacional como pergunta ao ChatGPT.
- Estrutura o conteúdo para ser citável. Respostas diretas, parágrafos que se entendem isolados, uma FAQ clara e dados concretos. A inteligência artificial cita blocos que respondem, não palha.
- Trabalha as menções externas. Aparece nas páginas que o ChatGPT já usa como fonte, sejam diretórios do teu setor, comparativos ou artigos de referência. É o link building da era do GEO.
Se fizeres só isto durante os próximos três meses, já vais estar à frente de quase todos os teus concorrentes em Portugal. GEO recompensa quem começa cedo e quem trabalha com método.
Perguntas frequentes sobre GEO
O que é GEO?
GEO significa Generative Engine Optimization. É a otimização para a tua marca aparecer nas respostas dos motores de inteligência artificial, como o ChatGPT, o Perplexity e os AI Overviews do Google, através de menções e citações, em vez de competir por uma posição numa lista de links.
GEO é o mesmo que SEO?
Não. As ferramentas são parecidas, mas a estratégia é diferente. O ChatGPT e o Google usam sinais diferentes e recomendam marcas diferentes. O ideal é trabalhar SEO e GEO em conjunto.
Como é que apareço ou sou citado no ChatGPT?
Não existe uma posição fixa, porque são modelos probabilísticos. Trabalhas menções, ou seja a tua marca recomendada, e citações, ou seja a tua página usada como fonte, educas o algoritmo sobre quem és e garantes presença nas páginas que a inteligência artificial já usa como fonte.
Os backlinks ainda importam em 2026?
Para o Google sim, continuam a estar no top três de fatores. Para os modelos de inteligência artificial, o que pesa mais são as menções estratégicas nas páginas certas. O ideal é conseguir as duas coisas na mesma parceria.
O SEO está a morrer?
Não. Está a multiplicar-se. Há cada vez mais canais de pesquisa, do Google ao ChatGPT e ao Perplexity, e ainda o TikTok, o Instagram e o Pinterest. O SEO não morre, transforma-se, e o GEO é a sua evolução mais recente.
Vê o episódio completo
No episódio do SEO POD com o Bernardo Ferreira aprofundamos todos estes pontos com casos reais, do query fan-out às prompt constellations, passando pelo robots.txt e pelas canonicals ao serviço do GEO. Se queres dominar como aparecer no ChatGPT antes dos teus concorrentes, vê a conversa completa no canal do YouTube.
E se queres que a tua empresa apareça no ChatGPT e no Google de forma integrada, com estratégia de SEO mais GEO feita à medida, fala comigo sobre consultoria. Se gostaste deste tema, vê também a conversa sobre SEO em grandes empresas com a Diana Pombeiro.
Transcrição completa do episódio disponível mais abaixo, em texto integral, para quem prefere ler.